Son of the sun







O Inverno e o Verão trazem-me sensações completamente divergentes.
O Verão traz-me o calor que ilumina os meus dias e aquece a minha alma, porque no Verão tu estás aqui, comigo. Já no Inverno, sou surpreendida por dias frios, chuvosos e curtos, é como se cada dia que passasse, a minha vida se fosse tornando cada vez mais breve. Até parece que a noite chega mais cedo e vai embora muito mais tarde! Sabes porquê? Porque tu não estás e porque isto só acontece quando sinto a falta da tua presença.
Por isso é que prefiro os dias longos e quentes de Verão, os dias que nunca mais acabam, as horas que não findam nunca, os momentos em que tu estás presente para me aquecer o coração com palavras e sossegar a minha alma com gestos intermináveis.
Porque quando tu não estás, o céu chora. Mas mal te pressente, no Verão, sorri de novo através da estrela mais brilhante que possui. Vê bem, até a natureza reflecte sobre ti, e por essa razão é que demonstra a sua alegria através da beleza e grandiosidade do Sol.


Por ti, só por ti.
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Ups, sou seropositiva!



Era uma sexta-feira à noite, e Soraia acabara de jantar, completamente sozinha, de braços largos e maçudos pousados sobre a mesa. Às 22:00 h em ponto, ela acabara de dar a última dentada no «double cheese». Lambe o polegar direito, e dá por si a pensar.


Soraia: Olha que engraçado… Eu costumava sentar-me aqui com o… com o Emanuel. E… e… era aqui que almoçávamos e lanchávamos e jantávamos, vezes sem conta! (pausa, tenta recordar-se de algo) Ele preferia Mc Fish, e isso, sem dúvida que explicava muita coisa! Já eu… (começam a escorrer-lhe, lenta e silenciosamente, lágrimas pela face. Esboça um sorriso) Olha, estou a chorar. Agora lembrei-me daquela altura em que eu só pesava mais 2kg do que peso agora…! Que bom, não é? (pausa)
O tempo é como os comboios que passam perto do meu prédio, passam a gás colado, como se voassem! (pára por breves instantes)
Ainda há bem pouco tempo eu não passava de uma miúda que gostava tanto do seu fofinho e dava a sua vida pela dele. Na verdade, nunca percebi muito bem a razão pela qual ele nunca mais me ligou, mas pronto! São coisas da vida, não é? (procurando respostas para se convencer a ela própria)
(Após uma longa tentativa de reflexão, começa a cantarolar)
«E desde então, ninguém me quer… Nem nunca vai querer… Que tal como ele que só me quis para (…)» (eleva as mãos até à cabeça) Não, não! São coisas que acontecem. Ele, ele, até já me tinha dito que dentro em breve se iria mudar para o Luxemburgo, que ia migrar, miligrar, emigrar! É isso, ele disse-me que ia emigrar, ou seja, ele volta! (sorri)
Eu tenho um vírus porque não me protegi, caraças eu era vi… não interessa (volta ao ritmo ofegante com que estava) Não foi culpa dele, foi de… ambos! É assim, «ambos», como disse a minha mãe!
Mas eu vou tratar-me… Já estou! É verdade, já ando nisto há nove anos e meio! (a tentar não desmoronar) É… é verdade… vou tratar-me… vou… tratar-me. (vê um homem com um porte semelhante ao de Emanuel há 10 anos atrás)
(Suspira) Ah! Já voltou! Talvez ainda se lembre de mim! (levanta-se e sai a correr).



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Laura dos Ventos



Um lago e uma ponte, não muito comprida. A água é esverdeada e à superfície conseguem ver-se algumas folhas de várias cores. Em frente do lago, há uma encosta que se ergue, como se fosse em direcção ao sol. Do lado de cá da ponte, Laura encontra-se ajoelhada e cabisbaixa, tocando muito ao de leve nas folhas que vão flutuando e dela se aproximam, mas só nas mais avermelhadas. Enquanto isso, ela consegue ouvir, ao longe, o som mágico e fresco da cascata.
(Começa a apor-se o Sol e surge Mariana, a tia com quem Laura vive)


Tia Mariana: Ainda aqui estás, filha? Está a ficar tarde e uma menina como tu não deve permanecer sozinha nestes sítios, a estas horas.
Laura: A estas horas… (olhando fixamente para o Sol que, entretanto, desaparece) Porque não a estas horas, tia? O que quer que seja que eu pretenda fazer, faço-o a qualquer hora. Está com medo, é?
Tia Mariana: Que disparate! Não digas isso… Eu sei que estás cansada. Acho melhor recolher e…
Laura: Cansada não significa néscia. Eu percebo as coisas, tia. E não, já não sou a sua “pérolazinha”, como outrora tanto insistia em chamar-me.
Tia Mariana: Ora, não sejas tão fria comigo, que para frio já basta este vento que te assola! Anda, estás a ficar roxa.
Laura: Já há muito tempo que ando roxa…
(Tia Mariana interrogando-se a si mesma durante breves segundos. Depois hesitante)
Tia Mariana: Porque não te agasalhas! Eu…
(Laura interrompendo-a, furiosa)
Laura: Porque não tenho calor! Sabe uma coisa tia, as plantas precisam de afecto, os animais carecem do mesmo, e até os bichinhos da terra, mesmo os mais insignificantes, precisam que tomem conta deles, ou que pelo menos não os ignorem. A água tem que ser tratada, se não como pode ser ingerida? (cala-se por instantes)
A água… Uma verdadeira preciosidade, não é? Olha…está imunda porque ninguém cuidou dela… Verde… Será que também ela anseia ainda por alguém que a trate? Será, Tia? Alguém que lhe devolva a limpidez com que saíra da fonte? A pureza com que nascera? Será? Será?
(Tia Mariana consigo mesma, em tom de sussurro)

Tia Mariana: Vai chover...
Laura: Pois que chova.
(Tia Mariana, reparando nos braços da sobrinha)
Tia Mariana: Tens cortes… nos braços! Oh não!
Laura: É do vento, tia. É do vento.


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Auto-reflexão

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«A menina Júlia»



«JÚLIA: Você que quis morrer por minha causa?

JOÃO: Tinha de inventar alguma coisa. As tolices com fantasias é que atraem as mulheres.

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JOÃO: Caia até à minha altura, e eu ajudo-a a pôr-se de pé.»
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Oh my dear, you runneth over
With your cup of convoluted wares.
The Aftermath is sinking lower.
The perfect pales beyond compare.

Your garden's rushing to my head now.
Your guise will leave no stone unturned.
I'm paralyzed by your concoction.
Your sleight of hand keeps all my fingers burned.





Oh minha querida, tu corres mais
Com o teu complicado copo de louças.
O resultado está afundando cada vez mais.
O perfeito empalidece incomparável.
 
O teu jardim está agora a stressar a minha cabeça.
O teu pretexto não deixa pedra sobre pedra.
Estou paralisada com o teu plano.
O teu golpe de mão mantém todos os meus dedos queimados.


Extraordinary
JILL TRACY
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Despersonalização









«Um actor não precisa de ter matado uma Desdémona para interpretar com verdade o papel de Otelo (...) Para entrar na pele da célebre personagem de Shakespeare tem o actor vantagem em não sentir o ciúme que mostra estar sentindo.»

J. Gaspar Simões, Heteropsicografia de F. Pessoa
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A sociedade decadentista










Às vezes penso como será descrito o séc.21 num hipotético séc.22. Temáticas: Vampiros e o mundo oculto. Música: Entre muitos, POP reles. Sociedade: consumista, egocêntrica e preconceituosa. What else?
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Belezas condicionadas

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«Pequenas mães, grandes percalços»


(durante a música, sentada/ deitada no meio a definhar, 1.55m - blackout) Está a chover lá fora. Eu decidi ficar em casa a ver televisão. Entre séries e anúncios e o suave “ping-ping” que se ouvia do lado de lá da janela, dei por mim, eram 8h da noite, sem saber o que fazer para o jantar. (mudança de estado)
Lá fora cai a chuva, muito ao de leve como que pressagiando a tempestade que se aproxima. (silêncio, imagina uma janela, em frente ao sofá)
Não parei de pensar naquilo o dia todo… (a ver a chuva, breve silêncio)
Às vezes só damos pelas coisas quando acontecem connosco, (pensativa e depois hesitante) quer dizer, com a minha irmã… Ela não podia… Não assim! Não agora! Não com 12 anos! (depois muito serena)
(calma) A minha mãe já nem lhe fala, o meu pai não a quer ver, o ambiente aqui em casa tornou-se pesado, insustentável, caótico. (desespero) E ela… ela nem sequer quer saber que a condenou a isto! (baixo e articulado) Cheguei quase a bater-lhe! Mas contive-me. (silêncio, encostada á parede)
(riso longo, máxima ironia) Agora, provavelmente, vamos passar a ser 5 cá em casa! Pobre criança, desgraçada da puta da mãe! (longo silêncio, à frente)
(luz intensa) Ela sabe que esta indiferença por parte dela, me perturba… Corrói-me, esfaqueia-me por dentro em pedaços tão singelos como a inocente que aí vem… (silêncio, sarcasmo) Naaa… Não sabe nada… Sou eu que sou impassível, impiedosa… (desespero) Aiii!!! Queria tanto conseguir aceitá-la como que a criança não existisse! (ironia, voz de caricatura) Qual criança? A mãe ou o filho?! (longo silêncio)
(já rendida)
Hoje é só mais um daqueles dias em que só me apetece ficar enterrada no sofá e na ilusão do pensamento de que talvez isto não esteja a acontecer… Outra vez não… (esconde o retrato, silêncio) (…)
(em forma de sussurro) Gostava de conseguir adormecer (…) (debaixo da mesa em posição fetal)





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«Hérmia acordando...»


"Ajuda-me Lisandro! Ajuda-me! Tira daqui esta cobra que me rasteja pelo peito! Oh meu Deus, tem piedade! (acorda)
Que sonho tive, Lisandro. Vê como tremo de medo! Pensei que uma serpente me devorava o coração e tu estavas aí sentado a sorrir desta pilhagem...! (finalmente dá conta de que está a falar sozinha)
Lisandro? O quê? Foi embora? Lisaaandro! Meu Deus, não me ouves? FOI EMBORA! Nenhum som, nenhuma palavra! Ai de mim! Onde estás tu? Se me ouves, fala! FALA EM NOME DO AMOR! Quase desmaio de medo!!! Não?? Então não podes estar perto... Que encontre a MORTE, ou te encontre a ti!"
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Arte é vida, ciência é estudá-la



“Tal como a ciência dispõe de várias soluções, também a arte disponibiliza várias sensações, as quais a ciência não chegará nunca, nem com mil estudos sobre o caso.
Arte é algo que se sente, e sem ser algo que está provado cientificamente, é sobretudo a sensação de viver, partilhar, conhecer, sonhar!
O mundo da ciência, na sua integridade, não é nada mais que estudos e comprovações de algo que já existe, que é um facto. Arte é inovar, aprender, evoluir!
A ciência está em permanente evolução, é certo, mas só se concretiza à pala de cálculos, esquemas, LÓGICA.
Arte, é algo inexplicável e provoca sensações jamais sentidas por algum cientista.
O cientista é um sábio, talvez um génio, mas o artista é um corpo vivo, feliz e plenamente concretizado com a vida...
O habitat frio onde vive a ciência é sustentado pela teimosia e austeridade de um laboratório sinistro e triste. O lugar da arte está em cada palco que se pisa, em cada canto do mundo, porque para fazer um bocadinho de arte basta ser criativo, ser feliz à maneira de cada um, já para ser cientista basta estudar, ser persistente, irracional e completamente imune às melhores coisas da vida que só a arte proporciona.
Lá está! A ciência vive de teorias, sem nunca se deixar levar pelos encantos da arte.
Quem ultrapassa os limites de qualquer ser humano é a arte mais uma vez, visto que esta procura sempre visar o bem-estar do ser humano sem nunca querer explicá-lo. Além disso, provar a arte? Para quê? Se ela nos oferece a mais pura das provas quando realmente se sente algo completamente inexplicável por parte da ciência?
O mundo baseado na razão e na lógica não passaria de um lugar completamente tedioso e triste.
A ciência faz falta, mas a arte completa a vida, completa o ser, e mais do que isso, completa a ALMA...!
Sois frios porque sois movidos pela razão? Pois nós somos alegres e movidos pela EMOÇÃO.
E para te responder à última frase, o que seria do mundo sem criatividade, prazer, e conceitos que ninguém consegue explicar?
A ciência, por vezes, chega a ser FRUSTRANTE, e sabes porquê? Porque vocês passam a vida a tentar, a insistir e chegam a uma conclusão demasiado previsível, ao passo que nós vivemos a vida com a plena noção de que há coisas que nem valem a pena serem provadas, porque se fossem perderiam a piada toda!
O FRUTO PROIBIDO É O MAIS APETECIDO.
A arte flui, a ciência contenta-se em provar o que já está provado ou então baseia-se em tentativas falhadas de descobrir o que só está ao alcance de alguns: os génios.
A arte só se deixa sentir por quem e a quer sentir.”






(isto foi apenas o teor de uma conversa em que os termos de comparação eram a Arte e a Ciência. No fundo, chegámos à conclusão que ambas se completam, pode não ser em tudo, mas em quase tudo...)
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Ética Cristã



Todos sabemos que o catolicismo segue alguns ideais menos “humanos” em relação a assuntos como a homossexualidade, o aborto, o método da eutanásia, entre outros.
Segundo a lei de Deus, qualquer acção que possa provocar a morte é considerada não ética – “só Deus te deu a vida, só Ele tem o dom de tirá-la”. Por isso, qualquer acto que implique o suicídio, no caso da eutanásia ou do consumo de tabaco e drogas, ou o homicídio, no caso do aborto, são considerados pela Igreja como uma espécie de “crimes”, o que me faz pensar que esse Deus é demasiado básico e cruel para com os seus servos.
Vejamos por exemplo o caso de um homem que sofre de uma doença crónica, tem um prazo de vida extremamente limitado e entretanto perdeu a vontade de viver porque de facto não permanecerá no mundo por muito mais tempo, é justo que a sua decisão – recorrer ao método da eutanásia – seja desrespeitada ou tomada como inválida? Quem é esse Deus que prefere prolongar o sofrimento daquela pessoa – supondo que é o ser omnipresente, omnisciente e omnipotente que todos ouvimos falar – sabendo que o pouco tempo que lhe resta se transformará nos piores momentos da sua vida? Se é omnisciente, porque finge não conhecer a dor daquele filho? Se é omnipotente, porque não acalma o sofrimento e a angústia daquele que diz ser seu servo? E se é omnipresente porque não ajuda aquele homem dando sinais da sua presença?
Em relação ao aborto, Deus, mais uma vez é contra e defende que jamais se pode tirar a vida a um inocente. Mas será que é justo mudar a vida de uma inocente que não planeava de forma alguma ter aquele filho? Será justo destruir a vida de uma criança de 14 anos que foi surpreendida por um vândalo que dela abusou? Onde está então esse Deus de misericórdia e compaixão? Melhor, quem é esse Deus? É aquele que diz que o homem foi feito para a mulher e a mulher para o homem? – “Crescei e multiplicai-vos”.
Esquecendo por uns minutos o facto hediondo de que a homossexualidade virou moda nestes últimos anos, pergunto-me que culpa tem a pessoa por sentir amor por uma outra do mesmo sexo?
Deus quis criar uma natureza tão perfeita que se esqueceu de alguns pormenores… E segundo “Caim” de José Saramago, Ele bem tenta desculpar os seus erros, como fez com Adão e Eva, embora todas as tentativas não passem disso mesmo, meras tentativas.
Por isso, na minha opinião, a Igreja não representa nenhum tipo de ética, mas sim a plena falta dela.


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A adopção – uma questão de ética?



Em Portugal, a adopção de uma criança demora cerca de 7 a 8 anos, o que dificulta imenso os planos de quem quer adoptar. Outro dos problemas em relação a este assunto não é bem o facto dos portugueses terem preferências de raça, porque quanto a isso cada um é que sabe. A partir do momento que uma pessoa toma a decisão de adoptar uma criança que não é sua biologicamente, tem o direito de escolher a criança que quer adoptar, ainda que isso nos soe um pouco a descriminação. Mas aquilo que, definitivamente, distingue os portugueses dos outros povos é que estes recusam-se a adoptar crianças de outras etnias mas essencialmente da raça negróide, e não aceitam crianças com doenças ou com mais de três anos, o que não deixa de ser estranho e macabro. Em contrapartida, os portugueses só querem crianças da sua raça, isentas de qualquer tipo de doença e, se possível com menos de 4 anos de idade.
E agora, abordando mais a parte da raça, surge-nos uma questão bastante empolgante: afinal porque é que grande maioria dos portugueses só pretende adoptar crianças da sua raça? Porquê esta descriminação se o objectivo da adopção é dar uma família a que nunca a teve, ou perdeu-a da pior forma? Os negros não têm direito a terem um pai e uma mãe? Porquê esta exigência, esta repulsa pelas outras raças?
É incompreensível os portugueses, principalmente aqueles que se encontram melhor na vida a nível financeiro, serem tão cruéis ao ponto de conseguirem rejeitar uma criança só porque ela tem uma doença… Se calhar, essa criança precisa de muito mais ajuda do que outra qualquer cujo seu estado de saúde é saudável, não?
Onde surge então esses “valores” de que é dotado grande parte do povo português? Em casa, no seu lar, no seio da sua família.
Desde que nascemos e começámos a ter raciocino até que entrámos numa nova fase chamada da adolescência – fase do contra -, seguimos aquele que para nós funciona como modelo, como ideal, aquele que é incapaz de cometer um erro e tudo o que ele faz está absolutamente correcto. É ele o nosso pai, ou a nossa mãe, ou quem estiver a tomar conta de nós. Daí que nós queiramos seguir tudo o que eles fazem, porque parar nós eles são o exemplo que, por vezes, nunca deveria ser tomado por tal, pois ensinam-nos valores falsos, educam-nos baseados no cinismo e na hipocrisia, e fazem-nos sentir a raça superior.
Depois cabe a cada um de nós mudar isso e adoptar outros ideais, mais puros, ou não.

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