A adopção – uma questão de ética?



Em Portugal, a adopção de uma criança demora cerca de 7 a 8 anos, o que dificulta imenso os planos de quem quer adoptar. Outro dos problemas em relação a este assunto não é bem o facto dos portugueses terem preferências de raça, porque quanto a isso cada um é que sabe. A partir do momento que uma pessoa toma a decisão de adoptar uma criança que não é sua biologicamente, tem o direito de escolher a criança que quer adoptar, ainda que isso nos soe um pouco a descriminação. Mas aquilo que, definitivamente, distingue os portugueses dos outros povos é que estes recusam-se a adoptar crianças de outras etnias mas essencialmente da raça negróide, e não aceitam crianças com doenças ou com mais de três anos, o que não deixa de ser estranho e macabro. Em contrapartida, os portugueses só querem crianças da sua raça, isentas de qualquer tipo de doença e, se possível com menos de 4 anos de idade.
E agora, abordando mais a parte da raça, surge-nos uma questão bastante empolgante: afinal porque é que grande maioria dos portugueses só pretende adoptar crianças da sua raça? Porquê esta descriminação se o objectivo da adopção é dar uma família a que nunca a teve, ou perdeu-a da pior forma? Os negros não têm direito a terem um pai e uma mãe? Porquê esta exigência, esta repulsa pelas outras raças?
É incompreensível os portugueses, principalmente aqueles que se encontram melhor na vida a nível financeiro, serem tão cruéis ao ponto de conseguirem rejeitar uma criança só porque ela tem uma doença… Se calhar, essa criança precisa de muito mais ajuda do que outra qualquer cujo seu estado de saúde é saudável, não?
Onde surge então esses “valores” de que é dotado grande parte do povo português? Em casa, no seu lar, no seio da sua família.
Desde que nascemos e começámos a ter raciocino até que entrámos numa nova fase chamada da adolescência – fase do contra -, seguimos aquele que para nós funciona como modelo, como ideal, aquele que é incapaz de cometer um erro e tudo o que ele faz está absolutamente correcto. É ele o nosso pai, ou a nossa mãe, ou quem estiver a tomar conta de nós. Daí que nós queiramos seguir tudo o que eles fazem, porque parar nós eles são o exemplo que, por vezes, nunca deveria ser tomado por tal, pois ensinam-nos valores falsos, educam-nos baseados no cinismo e na hipocrisia, e fazem-nos sentir a raça superior.
Depois cabe a cada um de nós mudar isso e adoptar outros ideais, mais puros, ou não.

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