Quando me deito
Tento formular, mais uma vez, uma explicação para a minha incessante teimosia
Mas que é isso se não a frequente procura do dia-a-dia?
Quando acordo
Relembro uma vez mais a tentativa da criação de uma convincente teoria acerca da noite anterior
Mas que é isso se não a mesma pertinente dor?
O que é a dor se não a mais viável justificação desta teimosia inata?
Talvez seja a resposta de ouro em nome da de prata...
Se o acto de sonhar é o mais pleno dos sentidos, porque insiste a vida em proibí-lo?
Uma vez que é bela a literatura, que é genuína a dança, exímio o teatro e
de todos o mais belo, o canto
Porque será que ainda hoje, comigo mesma, me espanto?
A arte é bela e nada mais importa em relação a tudo o que venha dela!
Porque Arte é Arte
Para mim, uma certeza demasiado bonifrate
A certeza da incerteza da dúvida da eterna esperança
E as pessoas perguntam "E isso não te cansa?"
Não, não, não!
Que mais poderei desejar para além do que está por baixo deste chão?
A dúvida, porém
Persiste na incerta recompensa que nunca vem
Mas se um dia esse prémio, por ventura, me vier sossegar
Espero ainda sentir-me e ser capaz de o venerar
E desde aí em diante
O continuar a contemplar
Pois nesse mesmo instante
Nada mais haverá que contar!
O tardar da morte é a efémera sorte.

Por mim, num estado de reflexão profunda









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