
(durante a música, sentada/ deitada no meio a definhar, 1.55m - blackout) Está a chover lá fora. Eu decidi ficar em casa a ver televisão. Entre séries e anúncios e o suave “ping-ping” que se ouvia do lado de lá da janela, dei por mim, eram 8h da noite, sem saber o que fazer para o jantar. (mudança de estado)
Lá fora cai a chuva, muito ao de leve como que pressagiando a tempestade que se aproxima. (silêncio, imagina uma janela, em frente ao sofá)
Não parei de pensar naquilo o dia todo… (a ver a chuva, breve silêncio)
Às vezes só damos pelas coisas quando acontecem connosco, (pensativa e depois hesitante) quer dizer, com a minha irmã… Ela não podia… Não assim! Não agora! Não com 12 anos! (depois muito serena)
(calma) A minha mãe já nem lhe fala, o meu pai não a quer ver, o ambiente aqui em casa tornou-se pesado, insustentável, caótico. (desespero) E ela… ela nem sequer quer saber que a condenou a isto! (baixo e articulado) Cheguei quase a bater-lhe! Mas contive-me. (silêncio, encostada á parede)
(riso longo, máxima ironia) Agora, provavelmente, vamos passar a ser 5 cá em casa! Pobre criança, desgraçada da puta da mãe! (longo silêncio, à frente)
(luz intensa) Ela sabe que esta indiferença por parte dela, me perturba… Corrói-me, esfaqueia-me por dentro em pedaços tão singelos como a inocente que aí vem… (silêncio, sarcasmo) Naaa… Não sabe nada… Sou eu que sou impassível, impiedosa… (desespero) Aiii!!! Queria tanto conseguir aceitá-la como que a criança não existisse! (ironia, voz de caricatura) Qual criança? A mãe ou o filho?! (longo silêncio)
(já rendida) Hoje é só mais um daqueles dias em que só me apetece ficar enterrada no sofá e na ilusão do pensamento de que talvez isto não esteja a acontecer… Outra vez não… (esconde o retrato, silêncio) (…)
(em forma de sussurro) Gostava de conseguir adormecer (…) (debaixo da mesa em posição fetal)









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