«Carta às origens» (parte 1)
ACTO 1
Cena 1
Com os cotovelos pousados sobre o peitoril frio da janela do quarto da mãe, ela sente o vento que lhe assobia na face e toca, com muito cuidado com o dedo indicador da mão direita no nariz gélido. Fecha a janela e recolhe à escrivaninha.
Começa a idealizar pensamentos altos e aleatórios e, mentalmente, imagina-se a escrever uma carta.
Está tanto frio… (desabafa consigo mesma)
Queria tanto que estivesses aqui e que a tua presença significasse a mais pura das realidades existenciais… Que o já não são… Que o foram… Em tempos passados persistiram na esperança de que, numa noite como esta, tu estarias aqui e ambas gozaríamos esse momento tanto quanto nunca gozámos.
Pensei em escrever-te uma carta, colori-la com tudo o que tenho sentido desde há tanto tempo…! Porém, com a certeza de que nunca a pudesses ler nem sequer imaginar este tenebroso momento que me reveste hoje, aqui, no teu quarto, na harmonia do teu belo quarto.
‘Gosto de ti. Venero a tua existência. Desejo a perpétua simbiose da tua felicidade e sanidade, acima de tudo. Não quero nunca experimentar a tua falta.’ Foram as primeiras ideias que pensei em rabiscar neste singelo pedaço de papel. Mas depois disso relembrei a mim mesma com alguma brutalidade ‘ Singelo pedaço de papel? Singelo? Oh!’
Um dia escrevo-te, um dia leio-te (ou não), um dia mostro-te (…)
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2 comentários:
adoro este, Raquel! está lindo
obrigada : ) de todos os que escrevi em Dramaturgia também é dos meus preferidos!
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